Quinta-Feira, 08 de Janeiro de 2015, 21h07
CĀNCER DE MAMA
Mulher mastectomizada e seus desafios

* Rosana Leite Antunes de Barros

É essa terrível doença - o câncer -, a segunda causa de morte por doença no Brasil, perdendo apenas para as enfermidades do sistema circulatório. Dentre as espécies, o câncer de mama é a maior causa de morte entre as mulheres. Por ser um número tão expressivo, nos cabe valorizar essa problemática, para identificar a prevenção, educação e os cuidados com aquela que se encontra acometida por esse mal.

A prevenção e a educação só são possíveis com exames rotineiros capazes de diagnosticar no início a doença, pois, a cura é de 98% se constatada prematuramente. Deve a mulher ficar atenta a qualquer sinal, ou, mudança repentina em seu organismo, máxime, na região dos seios e axilas, e buscar o auxílio médico imediato, caso isso ocorra.

Entretanto, dentre os cuidados com a mulher mastectomizada, impõe à sua família uma especial atenção, tendo em vista a mutilação que ela se vê obrigada a enfrentar. A mastectomia gera sentimentos de medo, incerteza, rejeição, culpa, perda, e, também, de ansiedades. O medo da morte, a rejeição ao seu corpo e a social, podem ocasionar uma mistura fácil para a contração do grande mal do século: a depressão. Às vezes, ela se sente culpada por ter contraído a moléstia, porquanto, o aparecimento pode ser ocasionado por hábitos alimentares, estilo de vida, falta de cuidado com o corpo, estresse, herança genética, repressão de sentimentos, ou traumas físicos.

Os seios representam a feminilidade da mulher, sendo o símbolo da metamorfose feminina, da maternidade e da estética. Não é fácil, desde a desconfiança, o diagnóstico, a retirada da mama, até a cura. São vários estágios a serem enfrentados, que contam, primordialmente, com a ajuda da família e de amigos.

A primeira e grande dificuldade enfrentada é a sua própria aceitação, ao se olhar e perceber que algo está lhe faltando, principalmente no Brasil, onde a valorização de estigmas femininos é de grande valia para a sociedade. O espelho passará a ser o seu principal inimigo. A autoestima fica completamente destruída, com a modificação corporal, ficando frágil emocionalmente para assimilar essa novel imagem.

E é nessa hora, na hora da dor, que o companheiro deve mostrar a sua força junto à mulher. Entretanto, por vezes, quando a ignorância cede espaço para a falta de compreensão e amor, a mulher se percebe sem os seios, e sem o respeito por parte daquele que lhe jurou: na alegria e na tristeza, na saúde e na doença.

Existem relatos de homens que ao descobrirem essa neoplasia em sua amada, dela se afasta, gerando o desconforto da castração, e, ainda, a perda e a insegurança com o parceiro. Tive relato de uma mastectomizada, que por motivos diversos, não teve condições de realizar a reconstrução da mama. Casamento de 19 anos, dois filhos, e toda uma história de vida que foi por água abaixo com a retirada dos seios. Segundo ela, o marido passou a afirmar que não conseguiria mais conviver com uma meia mulher. A esposa, ao perceber que não havia amor naquele relacionamento, disse a ele que não conseguiria mais conviver com um ser humano desumano.

Não há como falar de câncer de mama em Mato Grosso sem fazer alusão à MTMAMMA. Por lá é desenvolvido um brilhante trabalho em favor dessas mulheres, tratadas como assistidas. Desde a descoberta até o pós-tratamento, essa magnífica associação atua tentando minorar a dor das mulheres diagnosticadas com a doença. É um amparo ético, e realizado por pessoas voluntárias que se doam de todo coração para tão importante causa. Sintam-se abraçadas e abraçados todas as guerreiras e guerreiros da MTMAMMA.

* Rosana Leite Antunes de Barros é Defensora Pública, Presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher de Mato Grosso.


Fonte: MTmamma
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